A sociedade moderna está sujeita, cada vez mais, a mudanças contínuas e vertiginosas. Ainda as últimas mudanças não estão definitivamente impostas, sistemicamente solidificadas e minimamente avaliadas e novas alterações já se anunciam. Na maior parte dos casos, são mudanças totais e impiedosas. Dos axiomas e dos dogmas anteriores nada resta nem sequer em forma de ruínas ou de escombros. Nalguns casos, é mesmo difícil descobrir a matriz de origem. Por sua vez, a voracidade da mudança não respeita sequer rituais religiosos, nem princípios deontológicos ou postulados científicos.

Mas, se esta situação é vulgar em todos os sectores da vida moderna, ela torna-se ainda mais premente na área do ensino e da educação. Os professores e outros agentes de educação, perdido o contacto com a escola onde receberam a sua formação inicial, ficam desamparados e correm o risco de, aos poucos, se tornarem vítimas do efeito corrosivo da desactualização. A partir daí defrontamo-nos com dois tipos de profissionais: Uns pessimistas, que se conformam com a situação e vão contornando os problemas da sua desactualização em passo lento e penoso a caminho da, por vezes, ainda longínqua reforma; outros voluntaristas, que se esforçam, através de iniciativas individuais, por alcançar a outra margem, remando contra ventos e marés. E uns e outros fazem faltam ao nosso sistema educativo. É preciso reanimar e incentivar uns e apoiar os outros.

Para se conseguir esse objectivo, é necessário que os responsáveis pelas escolas promovam acções de formação contínua para os seus docentes.

Muito tem sido feito neste sector em Gaia e nas regiões envolventes. Tudo iniciativas válidas e oportunas. Cremos, todavia, que lhes tem faltado alguma intencionalidade, capacidade de integração e coordenação e um mínimo de continuidade.

Pretendem os organizadores das "Jornadas Psicopedagógicas de Gaia" colmatar essas lacunas, criando uma estrutura que, anualmente, desenvolva, de maneira aprofundada, um tema na área da pedagogia ou da didáctica e que, através de conferências, simpósios, debates ou de comunicações livres, procure os seguintes objectivos:

  1. Actualizar os professores face aos desenvolvimentos recentes na investigação e na prática do ensino/aprendizagem;
  2. Capacitar os professores para lidarem com alguns dos problemas mais frequentes na sala de aula;
  3. Favorecer a transposição dos estudos no campo da cognição e da afectividade para a prática educativa das escolas;
  4. Possibilitar o diálogo entre os professores de diferentes níveis de ensino e favorecer a troca de experiências de sala de aula.

Uma iniciativa deste género terá que garantir aos participantes rigor científico e qualidade. Para isso procuraram os seus promotores o apoio organizativo dos seguintes Centros de Formação reconhecidos cientificamente entre os congéneres nacionais e estrangeiros:

  • Centro de Psicologia da Cognição e da Afectividade (FPCE - Univ. Porto/JNICT);
  • Linha "Cognição e Aprendizagem" (CEEP, IEP-Univ. Minho);
  • Núcleo de Psicopedagogia e Tecnologia Educativa (FPCE-Univ. Coimbra);
  • Unidade de Investigação "Construção do Conhecimento Pedagógico nos Sistemas de Formação" (JNICT/Univ. Aveiro).

Do mesmo modo foi constituída uma Comissão Científica da responsabilidade dos mesmos Centros de Formação e de Professores da Universidade do Minho, da Universidade do Porto, da Universidade de Aveiro e da Universidade de Coimbra, a saber:

Amâncio Costa Pinto; Félix Neto; Isabel Alarcão; Joaquim Armando G. Ferreira; José Barros de Oliveira; José Tavares; Leandro S. Almeida; Manuel Viegas Abreu; Mário R. Simões; Nicolau V. Raposo; Rui A. Santiago.

O tema escolhido para as 1.as Jornadas Psicopedagógicas de Gaia é actual e a todos diz respeito:

COGNIÇÃO E AFECTIVIDADE NO ENSINO/APRENDIZAGEM

O tema geral foi apresentado em conferências de grande alcance e profundidade, retomado em simpósios de integração e de desenvolvimento, repensado em curtas comunicações a partir da experiência de profissionais oriundos de vários quadrantes e escalpelizado em debates animados e frutuosos.

Ciente de que a iniciativa a todos interessa, resolveu a Comissão Organizadora publicar em dois números desta Revista todos os trabalhos apresentados nestas jornadas, como sendo mais um despretensioso contributo para a formação contínua dos professores.

Esta publicação pretende ser, também, uma justa homenagem e um humilde reconhecimento a todos os que colaboraram, mesmo com sacrifício das suas responsabilidades familiares e profissionais, à organização destas Jornadas e à edição desta Revista.

Autor: João de Freitas Ferreira

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EXPECTATIVAS DE PROFESSORES E ALUNOSNA SALA DE AULA Autor: José H. Barros de OliveiraFaculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto 853
IGUALDADE DE OPORTUNIDADES EFORMAÇÃO DE DOCENTES Autor: Teresa PintoComissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres 696
IMPLICAÇÕES ESCOLARES DOS ESTUDOS DE MEMÓRIA HUMANA Autor: Amâncio da Costa PintoFaculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto. 777
MODELO RELACIONAL DO SISTEMA EDUCATIVOCLARIFICAÇÃO TEÓRICA E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS Autor: Manuel Viegas AbreuFaculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra 830
NOTA PRÉVIA 735
PRÉ, INTER E PÓS-AGIR :PERSPECTIVAS SOBRE PLANIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO EM PEDAGOGIA Autor: Maria Helena DamiãoFaculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra 1324

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