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Instituto Superior Politécnico Gaya                                                     Psicologia, Educação e Cultura
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                  de pobreza ultrapassa os 51 milhões (BRASIL, 2013; IBGE, 2020a). A realidade é complexa, mas a

                  conta é simples, se um acumula muitas riquezas, muitos ficarão sem nada. A educação é um dos
                  meios  mais  poderosos  para  a  transformação  da  desigualdade  social.  No  Brasil,  essa  educação

                  deveria formar jovens motivados para a participação social (Klein & Pátaro, 2008), articulando seus

                  conteúdos  curriculares  à  realidade  dos  discentes  para  que  eles  se  percebessem  como  agentes
                  capazes de agir e transformar a realidade do nosso país (Freire, 2001).

                         Em 2014, o Brasil era a 6ª maior economia do mundo, e tinha uma população de 20 milhões

                  de pessoas analfabetas (Arelato, 2014). Em 2016 a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos
                  ou mais era de 7,2% e em 2018 já havia diminuído para 6,8%. A última Pesquisa Nacional por

                  Amostra  de  Domicílios  realizada  em  2019  demonstrou  que  esse  número  baixou  ainda  mais  e
                  atualmente se encontra na casa dos 11 milhões, o que equivale a 6,6% da população (IBGE, 2020b).

                  Apesar destes avanços visíveis, os dados ainda são alarmantes e demonstram um baixo nível de
                  escolarização em nosso país. Como consequência, verificamos a dificuldade de tornar o ambiente

                  escolar um espaço promotor de processos reflexivos necessários à promoção da igualdade e justiça
                  social (Almeida & Xavier, 2021; Viana, 2021).


                         A escola é uma das principais ferramentas para promover a educação, por constituir-se um
                  lócus  privilegiado  para  construção  de  conhecimentos  e  de  preparo  para  a  vida  social.  Mas

                  historicamente este espaço tem se dedicado mais a outras funções, ligadas à manutenção da ordem
                  social, do que para a formação de cidadãos plenos e conscientes de seus direitos e deveres (Almeida

                  & Xavier, 2021; Viana, 2021).

                         Na atualidade, presenciamos a democratização da escola. Todos já conhecem, mas neste
                  caso não é exagero repetir, que o slogan “escola para todos” não é garantia de democratização do

                  conhecimento. A “escola de massas” que surge na Europa do pós-guerra em meados do século XX,

                  também visava incluir todos os jovens na escola, no entanto, muito mais com a ênfase de moldar
                  comportamentos do que a de produzir conhecimentos (Eidelwein, 2005; Viana, 2021). Segundo as

                  autoras, nossas crianças e adolescentes continuam sendo submetidos a processos educativos – que
                  guardando  as  devidas  distinções  sociais  -  visam  padronizar  comportamentos  e  desempenhos,

                  cumprindo prioritariamente o papel de prepará-los como mão de obra para o mercado de trabalho.

                         Ao longo do tempo sempre houve uma diferenciação entre o tipo de ensino que se oferece,

                  e ainda hoje há uma educação a ser ministrada para os nobres e uma para os pobres (Eidelwein,
                  2005), uma educação seccionada pelo espaço do ensino público e pelo espaço do ensino privado.
                  O que há de comum entre estes espaços é que ambos produzem relações de sociabilidade através

                  das quais nos tornamos todos “inimigos potenciais”, disputando - ainda que de forma desigual -





                  Psicologia, Educação e Cultura       .   Vol. XXV, Nº  2     .    Setembro de 2021     9
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