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Instituto Superior Politécnico Gaya                                                     Psicologia, Educação e Cultura
                  www.ispgaya.pt                                                                                       pec.ispgaya.pt


                  acirradamente um lugar no mercado de trabalho que é cada vez mais competitivo (Ferreira &

                  Acioly-Régnier, 2010). Em nosso país as chances não são iguais para todos, mitos como “todos
                  podem vencer, basta que se esforcem” são artimanhas dos discursos neoliberais para culpabilizar

                  o sujeito, docilizar e tornar resignados aqueles que não conseguem alcançar a ascensão social e

                  financeira (Almeida & Xavier, 2021).

                         É  no  ensino  público  que  aparece  de  forma  mais  escancarada  a  fragilidade  da  nossa
                  educação.  Suas  práticas  e  saberes  sem  qualificação  produzem  processos  e  resultados

                  insatisfatórios.  Segundo  Esteban  (2007),  a  escola  pública  se  tornou  um  espaço  no  qual,  se
                  encontram reunidas “crianças que trazem as marcas do abandono social e individual [...] marcadas

                  por  golpes  constantes  e  jogadas  nos  índices  de  fracasso  escolar”  (p.13).  O  direito  à  escola  é
                  garantido, mas a produção de conhecimento não é democratizada.


                         Para não incorrer no risco de cair em um discurso realista/pessimista ao etilo Schopenhauer
                  (De Freitas & Letenski, 2021), no qual os acontecimentos poderiam ser considerados irrevogáveis,

                  as discussões sobre desigualdade social e educação serão encerradas por hora. O objetivo até o
                  momento foi de realizar um pequeno brainstorming de fatos e dados que pudessem nos aproximar

                  da realidade social e educacional que está dada no momento histórico que estamos vivendo.

                          Em seguida falaremos sobre a presença e a influência da afetividade nos processos de
                  aprendizagem. Essa temática faz parte do cenário educacional e não pode ser negligenciada. A

                  intenção de trazer a afetividade para a discussão é olhar para além das mazelas sociais e tecer

                  amarrações teóricas que possam fomentar o debate sobre a importância da dimensão do cuidado
                  para a formação integral da pessoa nos ambientes educacionais.




                         Afetividade e Cognição na Educação

                                         “O mundo é inseparável do sujeito, mas de um sujeito que não é se não projeto do mundo,
                                         e o sujeito é inseparável do mundo, mas de um mundo que ele mesmo projeta” (Merleau-
                                         Ponty, 1999, p.576).



                         As  afirmações  de  Merleau-Ponty  (1999)  são  tributárias  das  filosofias  ocidentais  que
                  contrapõem as teses das dualidades homem/mundo, mente/corpo, cognição / afeto e defendem a

                  visão de homem “inseparável do mundo”. A atividade humana se dá nos laços sociais, não sendo

                  possível  afastar  o  sujeito  do  mundo  para  compreendê-lo.  O  sujeito  se  constrói  na  relação  de
                  inseparabilidade com o mundo (Sartre, 2015).






                  Psicologia, Educação e Cultura       .   Vol. XXV, Nº  2     .    Setembro de 2021    10
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