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Instituto Superior Politécnico Gaya                                                                    Psicologia, Educação e Cultura
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                        Na mesma linha, também o QECRL (Conselho da Europa [CE], 2001) salienta a importância

                  da  cidadania  no  processo  de  formação  dos  aprendentes.  O  referido  documento  destaca  que
                  “promover a compreensão e a tolerância recíprocas e o respeito pela identidade e diversidade

                  cultural” (CE, 2001, p. 9) permite uma comunicação internacional mais eficaz. Além disso, deve-se
                  desenvolver  a  riqueza  e  a  diversidade  da  vida  cultural  europeia  através  de  um  conhecimento

                  mútuo, através das línguas nacionais e regionais, incluindo aquelas que são menos ensinadas, de
                  modo a responder “às necessidades de uma Europa multilingue e multicultural, desenvolvendo de

                  forma  considerável  a  capacidade  dos  europeus  comunicarem  entre  si,  para  lá  de  fronteiras
                  linguísticas e culturais” (CE, 2001, p. 9), o desenvolvimento destas capacidades são um esforço ao

                  longo da vida. Neste âmbito, deve-se acautelar os riscos que possam “resultar da marginalização
                  daqueles  que  não  possuam  as  capacidades  necessárias  para  comunicarem  numa  Europa

                  interactiva” (CE, 2001, p. 9).

                        Deste ponto de vista, a educação para a cidadania na prisão deve “envolver o preso dentro

                  da ecologia da educação, incluindo cultura, lazer, instrução (…) assim como deve fazer emergir o
                  lado sadio, promocional, desafiador da educação crítica e criativa, uma das bases mais seguras da

                  formação da cidadania popular” (Demo, 1993, p.111).

                        Do  mesmo  modo,  a  educação  para  a  cidadania  orienta  para  uma  educação  ativa  e

                  democrática ao invés de uma atitude de complacência passiva; para uma cidadania democrática
                  que procura informações para a tomada de decisões, que participa e avalia.

                        Em suma, educar para a cidadania implica educar para a consciencialização de direitos e

                  deveres, é apelar à participação nos processos de decisão, nas escolhas conscientes onde todos os
                  cidadãos  são  chamados  a  participar  e  os  reclusos  não  podem  ser  excluídos,  numa  sociedade

                  democrática e humanista.

                        Tendo  em  conta  o  exposto,  o  objetivo  deste  estudo  foi  avaliar  o  impacto  da  leitura  no

                  desenvolvimento da consciência de cidadania.

                        Os principias objetivos e atividades das sessões foram:













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                  Psicologia, Educação e Cultura       .   Vol. XXIII, Nº  1     .     Maio de 2019
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