Page 8 - PEC2019N1
P. 8

Instituto Superior Politécnico Gaya                                                                    Psicologia, Educação e Cultura
                  www.ispgaya.pt                                                                                                      pec.ispgaya.pt



                        Educação para a cidadania na prisão


                        A intenção da condenação a pena de prisão é privar o indivíduo da liberdade, contudo, a
                  maioria das vezes significa, também, a violação e privação dos Direitos humanos (DH), incluindo o

                  direito à educação (UNESCO, 1995). De acordo com o mesmo organismo o papel da educação nas
                  prisões geralmente é o de manter os reclusos ocupados ou uma ferramenta que facilita o controlo

                  e ajuda a preservar a tranquilidade dentro da prisão. No entanto, tal interpretação da educação
                  negligência  o  lado  do  recluso  como  ser  humano  e  a  educação  como  um  meio  consciente  de

                  mudança. Deste modo, a defesa de uma escola democrática como garante de uma cidadania mais
                  democrática e ativa, torna-se fundamental. Como refere Martinez (2000, p. 52) “La educación para

                  la ciudadanía no puede estar sólo orientada a las personas buenas”.

                        Por outro lado, Diaz-Aguado (2000, cit. in Martins & Mogarro, 2010) defende que educar para

                  a cidadania no século XXI, justifica-se tendo em conta os seguintes pontos: (i) A necessidade de
                  interagirmos numa sociedade que é cada vez mais multicultural e heterogénea e, simultaneamente,
                  o  apelo  à  homogeneidade  e  o  aumento  das  incertezas  sobre  a  própria  identidade  individual e

                  coletiva; (ii) As TIC são uma ferramenta de informação ilimitadas. Permitem derrubar  barreiras

                  físicas da comunicação e, consequentemente, o isolamento e a exclusão social de indivíduos e
                  grupos sociais. Além disso, possibilitam o livre acesso a uma quantidade significativa de informação,

                  embora por vezes, se constate que existe alguma dificuldade para a processar e compreender; (iii)
                  Atualmente estamos perante diferentes formas de intolerância e de violência, por exemplo: tráfico

                  de  seres  humanos,  escravatura  laboral,  xenofobia,  violência  doméstica  (VD),  para  além  dos
                  conflitos armados. Ao mesmo tempo existem dificuldades e incertezas na forma de ultrapassar esta

                  realidade.

                        Perante estes factos, educação para a cidadania pressupõe que o indivíduo, neste caso o
                  recluso,  possa  alcançar  o  propósito  do  pleno  desenvolvimento  da  personalidade  humana,  a

                  convivência pacífica entre indivíduos e entre povos, com base no respeito mútuo, na tolerância, na

                  solidariedade, no compromisso com a não-violência e a justiça.

                        Além disso, a educação para a cidadania deve permite desenvolver competências que levem
                  o  recluso  a  pensar  criticamente,  autonomamente, a  expressar  a sua  opinião,  a  valorizar  a  sua

                  história de vida e aprender com as suas experiências, a ser responsável pelos seus atos e pelas suas
                  decisões, a construir o seu projeto de vida, a reconhecer e respeitar os outros independentemente

                  do género, idade, religião, orientação sexual ou etnia.




                                                                                                         8
                  Psicologia, Educação e Cultura       .   Vol. XXIII, Nº  1     .     Maio de 2019
   3   4   5   6   7   8   9   10   11   12   13